Semana Santa - Vigília Pascal

Eram três mulheres. E tinham uma dor: Aquele em quem haviam depositado todas as esperanças, Aquele que dava sentido às Escrituras, às palavras dos profetas de seu povo e aos pais de sua fé, tinha sido crucificado entre os malfeitores.

Vasculhando na memória, aquelas mulheres não encontravam motivo para aquela morte violenta e injusta. Ele era manso e humilde, seus gestos eram de paz, de benção, de vida. Era filho bondoso e gentil, amigo fiel e paciente. Quando o ouviam falar de Deus, sentiam-se no colo do Pai e chegavam a ouvir os batimentos de seu coração, tão forte era o amor que dele emanava.

E elas conheciam sua Mãe, e com ela haviam preparado o pão e colhido os figos maduros; com ela haviam entendido que o Deus de Israel não destruiria os exércitos inimigos, mas traria fogo novo à vida; haviam entendido que o Messias viria num burrinho e sua coroa de rei não seria de ouro, mas que seu reino não teria fim, não conheceria o ocaso.

Eram três mulheres e tinham uma dor. Choravam seu Senhor morto. Quem poderia consolá-las?

Eram três mulheres. E tinham um serviço a fazer. O corpo sem vida de seu Senhor precisava ser preparado e perfumado. O corpo daquele que tinha escolhido não ter um teto, nem uma bolsa, muito menos duas túnicas e duas sandálias. O corpo daquele que multiplicava os pães para os famintos, que curava os corpos doentes, paralisados, cegos, que erguia os corpos que a morte tomava para si.

E tinham visto aquele corpo padecer silencioso, receber os escarros, as chicotadas, o madeiro. E elas sabiam que Ele havia dado seu corpo e seu sangue como alimento para a vida, mas ainda não entendiam o sentido pleno. A dor era grande. O abatimento era pesado.

Eram três mulheres e tinham um serviço a fazer: perfumar um corpo santo que exalava odor de sangue pisado.

Eram três mulheres. E tinham um problema. O corpo de seu Senhor estava num túmulo e havia uma pedra enorme a ser rolada.

E a pedra pesava como as dores do mundo, como a angústia dos discípulos dispersos, atônitos, amargurados, amedrontados. A pedra pesava como a violência feita, como a injustiça que parecia reinar, como o silêncio que se fazia enorme.

Eram três mulheres e tinham um problema: uma pedra maior que suas forças.

Mas quando a aurora começou a expulsar as últimas trevas, viram as três mulheres que a pedra já havia rolado. E que o corpo do Senhor não estava mais ali.

E nem, poderia estar, porque o túmulo é lugar de um corpo morto, e o corpo do Senhor estava vivo. E todo aquele perfume de nada serviria.

Eram três mulheres e tinham uma grande alegria na alma. Não tinham medo, não ficaram assustadas, como lhes pedira o jovem de branco. Não tinham mais motivo para chorar, a não ser de pura felicidade. Não tinham mais um serviço a fazer, mas uma vida inteira para ser serviço e anúncio daquela grande novidade: Jesus havia ressuscitado , como prometera.

Eram três mulheres e tinham agora uma missão: dizer a todos que o Senhor iria à frente, que os esperaria na Galiléia, onde poderia ser visto e tocado. Pressentiam elas que aquela notícia mudaria a história. Não sabiam como, mas entendiam que não se pode encontrar com o Senhor face a face e despedir-se indiferente. Não sabiam como, mas compreendiam que as pedras que fechavam os túmulos perdiam seu sentido, pois a morte fora vencida.

Eram três mulheres. E tinham finalmente encontrado o Senhor. E dele não mais se apartariam. E de tão felizes, nem se lembraram de recolher os vasos de perfume.

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