Semana Santa - Quinta-feira Santa

É bem verdade que eles estavam desconfiando de alguma coisa.

Havia algum tempo que Jesus lhe falava de voltar para o Pai; havia algum tempo que Ele parecia provocar as autoridades em relação à Lei que não ignorava, não desprezava, mas preenchia com misericórdia.

Havia algum tempo que tudo parecia por um fio. Um fio que, mais do que claro, ligava os homens a uma nova realidade na relação com Deus, com a vida, com os outros. Mas parecia também que a vida de Jesus estava por um fio. Ainda mais depois daquela entrada triunfante em Jerusalém, depois dos hosanas e dos gritos que o aclamavam bendito.

É bem verdade que eles estavam desconfiando de alguma coisa, mas daquilo, não.

Jesus sempre os surpreendia, mas daquela forma… não esperavam. Mesmo depois daqueles três anos de intimidade e convívio, eles ainda não o conheciam profundamente e, naquela última refeição, Ele os surpreendeu outra vez. Não seria a última e o Espírito precisaria descer plenamente sobre eles, para que entendessem tudo ou, ao menos, um pouco.

Convidados à ceia, não esperavam que Jesus se cingisse, que tomasse a toalha e a água, e, muito menos, que se ajoelhasse diante de cada um e lhe lavasse os pés. E nada indica que estivessem muito limpos.
Mas foi o que ocorreu, foi o que Ele fez. Ali, de joelhos, como um servo, um escravo qualquer, Ele, Deus encarnado, imagem do Pai, lavava os pés dos discípulos, dos amigos e até de quem o trairia.

Ali, de joelhos, diante dos pés sujos, que conduziam para qualquer lugar, até os mais mesquinhos e mal falados, Ele ensinava ainda uma vez, preparando-os para a grande lição da cruz. Outra que não esperavam.
Ele lhes ensinava, com um gesto humilde e serviçal, que Deus não era o Senhor que arrasa, que nos submete, que vem com os exércitos e destrói e se impõe como patrão.

Ele os convidava não a fazer o que Ele fazia, mas a observar que, ali, não era apenas Jesus de joelhos, era Deus de joelhos. Deus, servidor dos homens.

E essa lógica tão ilógica, Pedro não consegue entender. A resposta de Jesus a Pedro não é para reforçar sua própria humildade, mas para mostrar-lhe quem Deus é. E Deus serve. Deus se coloca à altura do homem, por mais baixo que ele esteja.

E, finalmente, Jesus lhe faz um convite, sim. Um convite a prolongar seus gestos e sua presença, quando Ele não mais estivesse fisicamente entre os homens. E o convite é para que, fazendo o mesmo que Ele, revelem aos homens quem é Deus. O Deus do Evangelho, apaixonado, Pai amorosíssimo, pastor que dá a vida. Deus servo dos homens.

E quando lhes apresenta o pão e o vinho repartidos como seu corpo e sangue, Ele não mais ensina, apenas se entrega definitivamente.

O que os discípulos não esperavam e que veriam na sua paixão e cruz seria novamente o abaixar-se para servir, como que se a cada queda fosse um resgate, a cada chicotada um perdão, a cada batida do martelo, uma remissão.

Deus, servo dos homens. De joelhos.

Sabemos o que fazer e como fazer. Que O Espírito Santo de Deus nos dê força, coragem e a graça necessárias. E não temeremos a cruz. E ressuscitaremos.

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