Semana Santa - Páscoa

É a Igreja a amada, a desejada, o objeto de todo o amor de seu amado.

É o amado, o Senhor da Vida, o Ressuscitado.
É a amada que neste dia e nesta hora, olhos ainda ofuscados pela intensa luz que a tudo invade, a começar por suas próprias entranhas, e toma-lhe a alma que se arriscava a tatear no escuro, em busca de seu próprio sentido, é a amada que se lembra daquela madrugada.

É a amada que, ainda trêmula, traz à memória de seu peito virginal, aquele encontro no jardim. Era um jardim fechado. Ouvia-se apenas o vento frio da morte a vagar entre os túmulos onde se encarcerava a tristeza.

Era um jardim fechado em luto. Vigiado.

Era um jardim fechado que, apenas apenas, ia se abrindo à luz.

A névoa da manhã confundia as lágrimas da Madalena, perfume em mãos para untar o corpo morto do Senhor.

É a amada que se recorda dos dias de seu Senhor, passados na casa dos amigos e do perfume raro derramado pelos cabelos do Mestre. Era mirra. Puríssima mirra da Arábia, comprada na rua dos bálsamos em Jerusalém. Perfume denso de sentidos, servia para a vida, para ungir o noivo, servia para a dor, para aplacar sua invasão, servia para a morte, para preparar o corpo inerte e mudo.

Nesta hora, há perfume no ar. Quem aqui não percebe? Sente-se a mirra preciosa.

E a amada pressente a presença do Noivo.

“Vem, minha amada” – diz o amado – Vem ver quão alvo é este lençol de nossas núpcias.

É a amada que fecha os olhos e decerra o véu dos tempos e entra no jardim cheio de aurora.

É a amada que aperta ao peito o lençol de linho puro que envolvia o corpo do amado e sai a repetir aos brados que Ele renasceu dos mortos. Sua voz não se cansa, seu alento não se esvai, suas lágrimas não se derramam. Rejubila-se.

Seu amado a espera para as núpcias.

O que parecia ser a pedra da unção dos mortos não era senão o tálamo.

Como açucena entre os espinhos, a amada caminha em sua direção e recolhe a coroa de sangue usada na véspera e também a aperta ao peito. Este se fere e será memória eterna da ferida, mais ainda da dor do amado.

E a amada busca a sua voz com ansiedade, para guiá-la pelo jardim de onde o escuro retirou a morada e a vida não encontra termo.

“A voz do meu amado”!

Forte é a voz do amado que parece ter andado quarenta anos pelo deserto, quarenta dias pelas areias.

Forte é a voz do amado que a chama para o amor sem fim. Para as núpcias eternas, para repousar sua cabeça em seu peito e ouvir seu coração. Para seguir seus passos e imitar-lhe os gestos.

Dormiu o amado no seio da terra por três dias e se ergueu triunfante para sua amada. E bate à porta: “Abre, minha amada! Tenho a cabeça orvalhada, meus cabelos gotejam sereno!”

E é a amada que responde, pois só ela pode responder ao seu convite, é só a sua voz que Ele quer ouvir: “Ponho-me de pé para abrir ao meu amado: minhas mãos gotejam mirra”. Mas não é mirra para seu sepultamento, mas para nossas núpcias. Meu amado vive e vou ao seu encalço, pois que outro caminho não há, pois que outro amor não tenho, pois que outra vida não desej

E é a amada que ouvirá pelos séculos o entregar-se de seu amado – “Está tudo consumado” – e peregrinará repetindo: “Eu sou do meu amado e meu amado é meu”.

Desde aquela manhã de aurora diáfana, de lágrimas consoladas, de um túmulo completamente vazio.

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