Mãe peregrina de filhos peregrinos

Contavam antigamente que um homem decidiu tornar-se peregrino. Inquieto em sua alma, sedenta das alturas que parecia nunca atingir, desejoso de buscar o Senhor e segui-lo para sempre, colocou-se então a caminho.
Queria ir leve, para andar depressa. Não queria dinheiro, para não temer os ladrões. Queria simplicidade, para não chamar a atenção. Assim, com um pequeno saco as costas, partiu confiante. A única coisa que levou como lembrança da passada vida era um retrato da mãe que o deixara pelo céu.
E lá se foi o peregrino, pois assim agora o seria, pelos caminhos que conduziam aos santuários da terra. Buscaria a Deus, sem precisar dos homens. Era o que pensava…
E a caminhada se fazia na coragem de um dia apos outro dia. Mas sem falar com ninguém, os dias começaram a parecer muito iguais uns aos outros. A roupa ficou suja, as sandálias meio gastas, a fome mais insistente. Apareceram também as dores e de todos os tipos, no corpo e na alma, nos pés e no coração.
À noite, quando parava para descansar, junto a um fogo modesto, ele pegava o retrato da mãe e chorava um pouco, falava-lhe das dúvidas de seu caminhar, da fatiga que o invadia, do vento que o fustigava como terra de ninguém. No dia seguinte, parecia sentir-se melhor, mais corajoso e pensava que sua mãe, do céu, realmente olhava por ele.
Assim andava. Assim ia. Pedia a Deus que o guiasse porque, ao final de dois meses de caminheiro, ainda não havia chegado a canto algum. Onde se escondiam os santuários? Onde o Senhor a ele se revelaria plenamente?
Assim andava. Assim ia. Até a noite em que foi acordado por um estranho viajante que lhe pedia permissão para se aproximar do fogo: precisava de luz e calor. O peregrino nada negou, porque como se pode negar o que a todos Deus concede por graça infinita?
Assim encontraram-se dois peregrinos. E depois mais dois. Quatro que eram sentiram-se mais fortes para prosseguir em busca dos almejados santuários. Quando se fez a confiança entre eles, o primeiro peregrino mostrou-lhes o retrato amado da mãe e nem se surpreendeu quando os outros fizeram a mesma coisa.
Fato é que peregrinos tem mãe e, por mais longe que estejam da casa onde nasceram dela nunca esquecem.
E essa antiga história que termina com a chegada dos quatro unidos peregrinos a todos os santuários lembra-nos que nos também, hoje, continuamos a ser peregrinos. Também nos buscamos servir a Deus e segui-lo para sempre. Também nossa alma esta sedenta e ansiosa da plenitude de nosso Senhor.
Talvez, também, não devamos nos esquecer de que, sozinhos, dificilmente chegaremos a algum lugar, porque temos a mesma marca de nascença que nos irmana como peregrinos desejosos de uma meta para a vida, de um ideal a perseguir intensamente.
Também nos temos uma Mãe. Uma Mãe também peregrina a caminhar nas estradas de seus tantos filhos, a apontar-lhes a via principal, a segredar-lhes atalhos, a sustentar a coragem nas nossas travessias, seja nos desertos ou nas noites.
Também nós guardamos seu retrato, ainda que a imagem não seja nem de longe tão bela como a verdadeira. Nossa Mãe, todos a chamam de Maria e seu coração é tão generoso que não se importa com os outros nomes com os quais os filhos de todos os povos a invocam.
Nós também gostamos de chamá-la de Maria de Fátima, mas Senhora é Mãe de todos. E de nossa Mãe peregrina, nós seus filhos peregrinos, aprendemos o gosto pela paz, o dedilhar amoroso do rosário, o amor pelo Reino, a opção pelo Evangelho, a oração por todos. Essa é a nossa marca, porque somos filhos dela. E o que nos faz filhos também nos coloca no discipulado de Jesus, porque é só para Ele que ela continua a indicar.
Diferente, porém, dos peregrinos da antiga história, sabemos que não é preciso ir a todos os santuários da terra para encontrar a Deus, porque Ele já fez sua morada entre nós. Já se fez cordeiro e altar, servo e Senhor da vida que venceu toda morte.
Para os peregrinos de Fátima, isto é, para os peregrinos da paz, a rota esta clara como uma noite no deserto, quando todas as estrelas do firmamento brilham em honra e gloria ao Senhor. Nada temos, pois, a recear. Palavra da Mãe.

Área do Usuário

Pesquisa

Agenda Pastoral

Calendário Pastoral

Santos do Dia

Santo do Dia

Santa Joana Francisca de Chantal, religiosa


Fale Conosco

Faça seu pedido de oração, intensões de missas, receba informativos por e-mail ou entre em contato conosco.
Restam caracteres a serem digitados.
Captcha image