Festa do Natal

Escuríssima era a noite. Não menos fria. Não menos impressionante em seu silêncio profundo.

Para os pastores, a noite era de duas cores: o negro do céu, e o branco das ovelhas que brilhavam na imensidão e das que dormiam na relva. Poderia-se dizer que eram pastores de estrelas ou que as ovelhas eram estrelas caminhantes.

Tudo se passava na normalidade dos dias: a cidade distante, dominada pelos poderosos estrangeiros, um governo local no mínimo submisso e omisso, os cochichos que se ouviam a respeito do Messias que, afinal, não vinha para destruir os inimigos, para abrir as prisões, para libertar os cativos, para estabelecer seu reino. Onde estava o Messias? Por que era tão longa a espera? Será que Deus havia se esquecido de seu povo?

Mas para os pastores, nada disso pouco importava e a vida parecia não depender deles nunca. Só as ovelhas dependiam deles, só as ovelhas ouviam a sua voz e o que eles tinham a dizer era sempre a mesma coisa e se resumia a reuni-las, a mostrar a relva fresca.

Se escura era a noite, se o frio se intensificava, melhor era aninhar-se entre as ovelhas, porque o vento não permitia nem que se acendesse um braseiro para aquecer os ossos gelados.

E assim estavam os pastores entre as ovelhas, no escuro quase total, apenas consolados pelas estrelas, quando ouviram uma voz. A princípio apenas procuravam sua origem, porque estavam em silêncio e não havia mais ninguém, a não ser o vento que agora também parecia ter emudecido.

O universo parecia ter se calado. E a voz que emergia de uma luz e a luz que se transfigurava num anjo resplandecente anunciava o nascimento Messias, do filho que era doado.

Tremiam os pastores, não mais de frio, porque dentro deles acendia-se um pequeno braseiro. Tremiam os pastores, não mais de medo, porque este fugira para sempre, mas de uma alegria jamais experimentada.

E partiram os pastores de estrelas, seguindo a nova e mais brilhante entre todas e que fulgurava majestosa sobre uma gruta onde se abrigavam animais. Estranho Messias, assim chegado entre os homens.

E chegaram os pastores, já cheios de luz, e viram quem era o Messias e o adoraram na sua fragilidade de menino, nos braços de uma menina, brilhando nos olhos extasiados de um homem que os protegia.

Pensaram que aquele menino que lhes parecia tão lindo daria um bom pastor e que certamente amaria contemplar as estrelas e conversar com Deus.

Pensaram que a vida deles havia mudado, que a cidade não estava tão distante, que os poderes não eram assim tão fortes, muito menos eternos e que deviam anunciar aquela grande notícia.

Sentiram que o pequeno braseiro se transformava numa enorme fogueira e que poderia incendiar o mundo, por maior que ele fosse além das fronteiras de Israel.

Sentiram que por aquele Menino poderiam dar a vida, o sangue, o último respiro, porque a Vida estava ali e aquele instante valia todas as noites escuras, todas as lágrimas que tentaram confundir com as estrelas.

Ficaram ali os pastores a noite toda. Felizes e protegidos por um Menino. Justificados e profundamente envolvidos por um Menino.

E a noite nunca mais foi tão escura e tão brilhante. E nunca mais aguardaram a aurora em longas vigílias. Ela já estava encarnada entre os homens como um sol nascente. Luz para os nossos passos.

Deus vivo. Deus Menino. Eternamente entre nós.

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