Fátima e os Grandes Temas da Revelação Bíblica

É por isso que não podemos contentar-nos com dois ou três gestos de piedade, ou simplesmente com o silêncio, desculpando-nos com a afirmação de que se trata de revelações particulares, que, além do resto, não estão ainda bem esclarecidas.

A ser verdade este último ponto, na lógica do que vimos dizendo, há que remediá-lo o mais rapidamente possível.

Em qualquer dos casos, algumas coisas são já muitos claras. E a principal é que, mesmo sem entrarmos nos pormenores, que só à luz dos documentos poderão ser devidamente estudados, Fátima repete os grandes temas do profetismo bíblico, do Génesis ao Apocalipse:

Tal como nos primórdios da criação, após a queda, o homem tem medo do sobrenatural, percebe-se a presença de Deus, mas esconde-se, foge, precisamente porque essa presença lhe recorda a sua infidelidade, ela fá-lo tomar consciência da miséria em que o lança tudo aquilo por que troca às exigências da sua condição de amigo, aliado de Deus.

Em Fátima, tanto a Anjo como Nossa Senhora, aliás, repetindo gestos e palavras que aparecem freqüentemente na sagrada Escritura, iniciam o seu diálogo com as crianças procurando tranqüilizá-las: Não tenhais medo! Eu sou a Anjo da Paz. – Não tenhais medo! Eu não vos faço mal.

O medo é de fato, o estado de espírito mais generalizado, numa civilização como a nossa, em que a decadência se confunde com a inversão de valores e o secularismo mais radical, que espanto, pois, se Deus reinicia o seu diálogo com o homem convidando-o a libertar desse medo, já que só ele pode estar na sua origem?

Os relatos bíblicos transmitem-nos as palavras com que o senhor teria explicado a Adão e Eva o porque do estado em que se encontravam (Gen.3,11). Em Fátima são os gestos, quer do Anjo, quer de Nossa Senhora, que, dando seqüência ao convite a não terem medo, apontam, ao mesmo tempo a fonte e o remédio desse medo:

Rezai comigo: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos… Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo… (Primeira e Terceira aparição do Anjo). O Santíssima Trindade, eu vos adoro… (Aparição de 13 de maio).

Numa palavra: se não queremos ter medo, nem do natural nem do sobrenatural, aceitemos o mundo como ele é: criatura de Deus, que lhe dá o ser em toda a sua plenitude, é sua origem e seu fim, logo, única fonte de significado para ele.

Aqui temos o convite fundamental de Fátima: aprofundar a nossa vida teologal; procurar que todo o nosso ser e agir esteja impregnado do crer, do esperar e do amar que se centra em Deus… Deus, que é alguém, tão profundamente pessoal que se nos revela em três pessoas: Pai, filho e Espírito Santo.

E perante este mistério, que nos atemoriza e nos arrebata, cairmos de joelhos, prostramo-nos em adoração, não para fecharmos os olhos à realidade histórica em que estamos mergulhados, mas para lhe pegarmos com redobrado amor e entusiasmo, porque nesse gesto descobrimos o sentido das coisas, que brotam do amor desse Deus, uno e trino.

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