Adonai Elokeinu

(O Eterno é nosso Deus)

Era uma estrela. Uma simples estrela. Daquelas que estavam no firmamento desde os tempos em que Deus vagava pelo Universo, ordenando a Criação.

Ela estava lá desde o momento em que da escuridão se fizera a Luz, em que Deus pensara em todas as criaturas, em que se plasmava a eternidade. ‘Adonai Elokeinu’, o Eterno é nosso Deus, entoava toda a criação desde o princípio.

Era bom ser uma estrela: do alto via a terra e os homens, acompanhava a dança dos mares e dos ventos, o suceder das estações, dos séculos. Não sempre se interessava pelos homens, porque tantas vezes os vira tristes e ferozes e preferia seu destino de estrela: brilhar diante de Deus e dos homens, admirar as obras do Criador, inspirar os poetas, acolher as juras de amor feitas sob a lua.

‘Adonai Elokeinu’- o Eterno é nosso Deus!

Era bom ser estrela porque servia de guia nos desertos e nas noites profundas, e se em grupo, enfeitava os céus como as pérolas adornam o colo das mulheres e criava fantasias no pensamento das crianças que desenhavam histórias na imensidão.

Mas as estrelas tinha em que estar em sintonia com o Criador, sensíveis às batidas de seu coração de mão e pai. Por isso, já há alguns séculos, sentia um pulsar grave, magnífico, mais intenso do que todas as forças do universo reunidas. Parecia-lhe claro como as noites enluaradas, que Deus gerava o Amor, como se este já não pairasse sobre tudo.

‘Adonai Elokeinu’- o Eterno é nosso Deus!

Da terra ela ouvira ecos: profetas vinham e gritavam, morriam anunciando alguém que viria. Talvez no firmamento, tão distante das vozes e dos alaridos, fosse realmente impossível ouvir aquele nome santo, definitivo, salvador. Então, ela também aguardava e, às vezes, pegava-se gemendo, numa espera dolorosa e silente.

‘Adonai Elokeinu’- o Eterno é nosso Deus!

Assim foi, até que uma voz de mulher, quase de menina ouviu-se pelas galáxias. Era tão clara e cristalina que as palavras ecoavam tão inteiramente pelo espaço como o fogo consome a erva seca. ‘Faça-se!’. Para a estrela parecia ouvir o Senhor nos dias em que criava. ‘Faça-se!’.O que uma menina poderia estar dizendo?

Não compreendeu bem a estrela, mas nos breves meses que se seguiram, tudo parecia estar voltada para a Terra, para um lugarejo esquecido e pobre, invadido e menosprezado. As estrelas do Oriente tagarelavam à noite entre si e, mesmo durante o dia, davam uma espiada para ver o que estava acontecendo. Estavam particularmente alegres e brilhantes, porque sabiam que ali pulsava o coração de Deus e a redenção de toda a humanidade.

‘Adonai Elokeinu’ – o Eterno é nosso Deus!

Ansiosa também, a estrela só percebia que as noites eram mais longas, como se a noite prolongasse os instantes para que a grande notícia explodisse em seu seio e pudesse reger todos os astros num concerto de brilho esplêndido e eterno.

‘Adonai Elokeinu’- o Eterno é nosso Deus!

Mas, tudo parecia normal demais: naquele lugar que diziam ter sido o escolhido, faziam até recenseamento, vendiam-se ovelhas, viajavam de um lado para outro. Os homens talvez não se dessem conta – pensava a estrela – lamentando a pressa, o descaso, o descuido que se infiltrava entre as pessoas.

E naquele que seria o primeiro de todos os dias, o cosmos despertou silente: nada se mexia no aguado do nascimento de uma criança.

Deus se encarnava!
‘Adonai Elokeinu, Adonai
Elokeinu’- o Eterno é nosso Deus!

Todas as filosofias se calaram, todos os discursos emudeceram. Aquela criança, um menino bem pequeno, seria a Verdade definitiva

‘Adonai Elokeinu’- o Eterno é nosso Deus!

Todas as estrelas se confundiram e se entrelaçaram, porque aquele menino, Deus conosco, seria o único ‘Caminho’.

‘Adonai Elokeinu’- o Eterno é nosso Deus!

Toda a existência nos céus e na terra, nas profundezas do mar e nos abismos do infinito, dobraram-se reverentes. Aquele menino, seu nome era Jesus, seria a Vida.

‘Adonai Elokeinu’- o Eterno é nosso Deus!

Atônita diante da infinidade de Deus num corpo de criança, a estrela regozijou-se com o surgimento de uma nova estrela: brilhante mais que todas, grande e vistosa, a única que brilharia, levando o nome de uma cidade, indicando os caminhos em todos os desertos do mundo.

Um choro de criança cortou a noite na periferia de Belém. Estremeceram-se todos os astros, vibraram as entranhas da Terra.

Pulsava o coração de Deus entre os homens.

‘Adonai Elokeinu, Adonai Elokeinu’- o Eterno é nosso Deus!

Frei Yves Terral

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