Muitos cristãos ainda
têm a distorcida idéia de santidade
ligada apenas ao martírio, às grandes
obras, aos grandes espaços, aos tratados
de teologia, à sisudez e à severidade.
Se muitos santos, realmente passaram essa imagem
(quase sempre muito mais elaborada pelos outros
do que vivida pelo santo, mas muitas vezes, também,
decorrente de uma mentalidade de época),Santa
Teresinha do Menino Jesus muda o protocolo.
Talvez a primeira coisa que nos atraia profundamente
nessa pequena carmelita francesa seja sua juventude,
seu ar de menina, seu coração completamente
de criança. Mas não foi como criança
que ela decidiu, com toda determinação,
aos 15 anos, enfrentar todos os impedimentos e
entrar no Carmelo. Escolheu a melhor parte e essa
não lhe foi tirada, apenas cumulada de
graças sobre graças.
Aliás, Teresinha tinha uma viva consciência
da ação de Deus em sua vida. Certa
vez tendo recebido um feixe de espigas de trigo,
pegou numa delas que estava muito carregada, a
ponto de dobrar-se e comentou: “Esta espiga
é a imagem da minha alma. Deus carregou-a
de graças para mim e para muitos outros.
Quem me dera viver sempre curvada ao peso da abundância
dos bens celestiais, reconhecendo que tudo vem
do alto”.
Entrando no Carmelo, Teresa
não perdeu tempo e deu vazão a
seu maior objetivo.Ela mesma escreveu, dizendo:
“O desejo constante de toda a minha vida
tem sido fazer-me santa; mas, sempre que me
pus em paralelo com os santos, pude facilmente
verificar que há entre eles e mim a mesma
diferença que entre uma montanha cujo
cimo se vai perder nas nuvens e um grão
de areia que todos pisam aos pés sem
darem sequer pela sua existência. Com
isso não desanimei, mas fiz comigo esta
reflexão: não vai Deus inspirar
desejos impossíveis de realizar; apesar,
pois, da minha pequenez, nada me impede de aspirar
à santidade. Não posso progredir?
Terei paciência para me ir suportando
como sou, com as minhas imperfeições
sem conta, mas hei de buscar meio de chegar
ao Céu por algum caminho bem direto,
bem curto, por uma sendazinha inteiramente nova”.
E ela conseguiu o que queria
e realmente “inventou” um caminho
novo, o menor, o mais fácil, aquele que
Jesus recomendara tão claramente: “Se
não vos tornares como crianças,
não entrareis no Reino dos Céus”
(Mt 18,3)
A tarefa que pode parecer ingênua não
o é. Tanto que “o caminho da infância
espiritual” alargou-lhe o coração
e deu-lhe o desejo missionário, a consciência
da necessidade de rezar pelos missionários,
pelo clero. Como criança, Teresa entende
de fragilidade, de fraqueza, de dependência,
realidades que os sérios adultos querem
eliminar, esquecer. È reconhecendo a
fragilidade que abrimos espaço para a
presença de Deus, o que não significa
que devemos esperar para agir, mas apenas agir,
ser, falar na dependência do amor, da
misericórdia, da sabedoria divina. É
mais garantido. E Teresinha tinha absoluta certeza
disso.
Se formos pensar bem o que ela fez, não
há muito a se dizer, mas muito a se aprender,
tanto que o papa João Paulo II proclamou-a
doutora da igreja. Teresinha ensina a humildade,
a paciência, à constância,
à fidelidade dos pequenos gestos, o suportar
os outros com amor, vendo na fragilidade do
próximo uma ocasião de serviço,
de uma palavra de conforto, de bondade. Teresinha
ensina a ver longe, a viver a dimensão
missionária de nosso Batismo, tanto que
foi logo proclamada padroeira das Missões.
Nosso coração não pode
ter a dimensão dos espaços em
que vivemos: deve ter a compreensão deles,
sim, mas a dimensão dos horizontes dos
quais não se pode ver o final.
Teresinha morreu aos 24 anos, de tuberculose,
depois de um longo sofrimento que ela enfrentou
sempre sorrindo, sem uma queixa, contente do
prenúncio do encontro com seu Amado.
Numa noite, poucos dias antes de sua morte,
a irmã enfermeira veio lhe fazer uma
visita e a encontrou acordada, de mãos
postas, olhando para o céu. É
perguntou a ela: “Por que está
assim nesta posição? O que deve
é tratar de dormir”. E Tereza respondeu
quase sem voz: “Não posso, querida
irmã, sofro tanto! Por isso é
que rezo...”.A enfermeira insistiu: “E
que diz então a Jesus?” Ao que
a santa respondeu simplesmente: “Não
digo nada. Entretenho-me a amá-lo”.
Que Teresinha do Menino
Jesus nos ensine a ser crianças do Reino.
Que sejamos bons seguidores desse seu caminho
espiritual. Que sirva para nós o conselho
que, na época de sua canonização,
o papa Bento XV deu a um sacerdote: “Invoque-a
com fervor, porque a vocação de
Teresinha é ensinar os padres a amarem
Jesus Cristo”.
E que dos céus ela nos mande uma chuva
de rosas.
"Compreendi que sem o amor, todas as obras são nada, até as mais brilhantes, como ressuscitar aos mortos e converter os povos" . Santa Teresinha do Menino Jesus
O Santuário Nossa Senhora do
Rosário de Fátima está situado no Alto do Sumaré,
à
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linha Verde do Metrô.